Por que a Integração da Cadeia de Suprimentos é Crucial na Era da Indústria 4.0

Autor: Juan N. Cento, Presidente regional da FedEx Express para a Divisão América Latina e Caribe

Local Motors é uma montadora de carros com uma diferença. Ao invés de seguir o processo de design de veículo tradicional, a micromultinacional baseada no Arizona, ao invés disto, cria o design de seus carros de forma colaborativa em uma comunidade on-line. Uma vez que o projeto é escolhido, a empresa explora os avanços na tradução de dados do mundo digital para o mundo virtual e construir praticamente todo o carro com impressoras 3D. Este processo inovador permite à empresa criar um modelo completamente novo de carro a partir do zero em apenas um ano – tempo muito abaixo da média da indústria automobilística em geral de seis anos[1].

Este é um grande exemplo da revolução que está varrendo o mundo da manufatura. Desde  a "revolução lean" dos anos 70, muitas vezes apelidada de "terceira revolução industrial", que mudanças tão radicais não foram feitas na maneira como a produção é projetada, monitorada e executada.  E estas transformações já são sentidas desde a cadeia de valor das empresas até as mãos do cliente final. Hoje em dia, a economia global impulsionada pelo comércio eletrônico está criando um corajoso novo mundo conhecido como a quarta revolução industrial, ou "Indústria 4.0" - e as empresas precisam se adaptar rapidamente para não serem deixadas para trás.

A “Indústria 4.0” é uma abreviação à aplicação de novas capacidades digitais na manufatura e em cada estágio subsequente da cadeia de valor. No significado mais simples, pode representar a aplicação da tecnologia a um único estágio da cadeia – por exemplo, uma mina de ouro na África levantou dados de seus sensores para descobrir uma irregularidade em um ponto particular em seu processo de produção. O conserto deste problema gerou um aumento de rendimento de 3,7% - ou US$ 20 milhões - a cada ano[2].

Entretanto, as empresas estão buscando um olhar mais holístico em suas cadeias de valor para perceber todo o potencial da Indústria 4.0. Com quatro décadas de experiência no apoio ao supply chain dos clientes, podemos perceber que, se os fabricantes e varejistas conseguirem aproveitar todas as possibilidades da Indústria 4.0, será necessário repensar a gestão da cadeia de suprimentos.

Tornando o supply chain  mais focado no cliente

Antes visto apenas pelo potencial de reduzir custos, o gerenciamento da cadeia de suprimentos evoluiu. Graças aos modelos analíticos de big data e às mudanças das expectativas dos clientes, a previsão da demanda é mais sofisticada. Isto significa que as cadeias de suprimentos modernas têm agora mais um papel vital na garantia da satisfação e retenção do cliente.

Para atingir esse objetivo, a logística precisa trabalhar em toda a empresa, de ponta à ponta, integrando perfeitamente  produção, estoque, marketing, vendas, pagamentos, distribuição e retorno de produtos[3] para otimizar o modelo da cadeia de suprimentos que equilibra a eficiência de gastos com a manutenção da satisfação dos clientes.

Abraçando a inovação

Alcançar esse grau de integração é complexo – uma pesquisa recente mostra que apenas 7% dos executivos acreditavam ter criado negócios totalmente integrados[4] que poderiam ser considerados prontos para a Indústria 4.0. O acesso à tecnologia certa é apenas uma parte do quebra-cabeça; as empresas também precisam de uma cultura que abrace a inovação e uma força de trabalho - desde os executivos até a equipe operacional – que esteja disposta a inovar para impulsionar a mudança[5].

No entanto, essas barreiras à implementação de uma cadeia de suprimentos pronta para a Indústria 4.0 devem ser ponderadas em relação aos benefícios potenciais. Considere a fabricante de aeronaves Airbus. A empresa tem investido significativamente na criação de uma "Fábrica do Futuro" para construir aviões em realidade virtual, com profissionais habilitados para operar computadores e robôs lado a lado nas linhas de produção[6]. Como resultado dessas mudanças, que a empresa chama de "produção inteligente", a Airbus é capaz de acompanhar o aumento da demanda, e agora também fabrica seus produtos de uma forma mais sustentável[7].

A próxima fronteira para a concorrência

É claro que estes são apenas alguns exemplos de tecnologia reformulando a cadeia de suprimentos. As telas sensíveis ao toque, a robótica e a realidade expandida[8] podem ser orquestradas para alcançar cadeias de suprimentos capazes de responder automaticamente às mudanças na demanda final[9]. A questão central não é o que a tecnologia extrai, mas se você trabalha com o provedor certo de manufatura, tecnologia ou logística para permitir que sua cadeia de suprimentos seja verdadeiramente integrada e orientada pela demanda.Faça certo e seu negócio estará no caminho para conquistar mais eficiência, reduzir o tempo de comercialização de produtos, diminuir custos, aumentar a produtividade e ganhos de receita. Apesar do investimento substancial envolvido, uma recente pesquisa global sobre a Indústria 4.0 mostrou que mais da metade dos entrevistados prevê o retorno sobre o investimento em apenas dois anos[10].

Em um mundo onde os negócios são cada vez mais realizados digitalmente, preparar sua cadeia de suprimentos para a Indústria 4.0 representa a próxima fronteira na batalha pela vantagem competitiva.

 

[1]Manufacturing's next act”, Baur and Wee, McKinsey & Company, Junho 2015

[2]Manufacturing's next act”, Baur and Wee, McKinsey & Company, Junho 2015

[3]Top of Mind Survey 2016: Becoming Hyper Customer Centric”, KPMG, Junho 2016

[4]Top of Mind Survey 2016: Becoming Hyper Customer Centric”, KPMG, Junho 2016

[5]Top of Mind Survey 2016: Becoming Hyper Customer Centric”, KPMG, Junho 2016

[6]Five Industries that will be Completely Transformed by IoT”, Hewlett Packard Enterprise

[7] "Factory of the Future", Airbus, avaliado em 28 de Fevereiro de 2017

[8]Manufacturing's next act”, Baur and Wee, McKinsey & Company, Junho 2015

[9]Industry 4.0: What about lean?”, Netland, T, Março 2015

[10]A Strategist's Guide to Industry 4.0”, estratégia+negócios, Maio 2016

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