Quando pequenas empresas encontram grandes oportunidades

Autor: Raj Subramaniam, vice-presidente executivo de marketing e comunicação global da FedEx Services

Para muitos turistas que vão à Tailândia, a visita ao famoso Mercado de Fim de Semana de Chatuchak, em Bancoc, é um dos pontos altos das férias. O efervescente espaço de mais de 100 mil m2 é um polo para varejistas tradicionais e acomoda 15.000 bancas que vendem uma variedade incrível de objetos de arte, antiguidades, seda e artesanato vindos de todos os cantos do país. Hoje, esse mercado a céu aberto é citado com destaque em guias turísticos, contribuindo, de forma respeitável, para a economia local.

Porém, é fácil negligenciar a importância de pequenas empresas como as bancas de Chatuchak, não apenas para as comunidades vizinhas, mas também para a economia nacional. 

Na região da América Latina e Caribe, por exemplo, pequenas e médias empresas – ou PMEs, como costumamos chamá-las – representam 99% do total de empresas em atividade e dois terços dos postos de trabalho[1], portanto, é importante que elas continuem crescendo, e com sucesso.

Servir a comunidade ao olhar para além dela

A moderna tecnologia de hoje possibilita que o potencial de crescimento das PMEs não fique limitado ao tamanho das comunidades que as cercam. Novos fornecedores e clientes de outras cidades e países podem ser encontrados, literalmente, com um clique no mouse.

Um recente estudo de pesquisa independente encomendado pela FedEx[2] nos surpreendeu ao revelar a grande quantidade de PMEs no mundo que estão perdendo a oportunidade de alavancar o comércio internacional. Mundialmente, apenas 38% das PMEs exportam para outros países, mesmo os mercados vizinhos. 

No Japão, onde a transição para a economia moderna foi calçada nas exportações, apenas 14% das PMEs vendem seus produtos fora do país – o menor percentual do estudo. O padrão é similar na América Latina e no Caribe, onde, hoje, apenas 39% das PMEs exportam.

Assim, embora as PMEs estejam impulsionando o crescimento econômico, a grande maioria faz isso atuando dentro de suas fronteiras. Será que vender para o exterior é algo que simplesmente não compensa? Ou será que existe, de fato, um reservatório significativo e não explorado de potencial de crescimento para as PMEs?

Um mundo de possibilidades

A segunda opção tende ser a correta. No mundo todo, as PMEs que vendem para o exterior geram receita adicional média de US$ 1,5 milhão ao ano com exportações. Embora esta cifra seja ligeiramente menor entre as PMEs da América Latina e Caribe, a exportação ainda parece ser uma atividade que vale a pena, gerando uma receita anual média de mais de US$ 1,1 milhão.

Existe também uma correlação clara entre exportação e crescimento rápido. Em todos os mercados pesquisados, a probabilidade de as PMEs que exportam terem um crescimento anual de pelo menos 11% é maior do que a das que não exportam. Na China, França, Alemanha, Itália, Japão, Coreia do Sul, Espanha e Taiwan, a probabilidade de as PMEs exportadoras alcançarem esse tipo de crescimento acelerado é cerca de duas vezes maior do que a de suas contrapartes que não exportam. Já no Brasil, Colômbia e Índia, as pequenas e médias que exportam têm uma probabilidade 1,1 a 1,3 vez maior de obter um crescimento rápido. 

Quando considerados conjuntamente, os resultados do estudo sugerem a existência de um caso de negócio bastante contundente para as PMEs começarem a exportar seus produtos para outros mercados, além de benefícios intrínsecos como economia de escala, redução dos custos unitários, diminuição dos riscos e equilíbrio do crescimento.

Um bom exemplo é a história da empreendedora brasileira Cleuza Torres, que começou a produzir figurinos de ballet para as apresentações da filha, em 1996, e hoje exporta para Itália, Portugal, Espanha, Estados Unidos e Canadá.

Cleuza não é uma exceção quando se trata de reconhecer o potencial dos mercados internacionais. De fato, quase três quartos das PMEs pesquisadas se disseram empolgadas com o potencial de seu negócio no mercado global. 

Liberando o potencial das PMEs

Se tantas PMEs reconhecem a importância da oportunidade de exportação, mas pouquíssimas efetivamente exportam, fica claro que existem barreiras a serem superadas. No mundo todo, as PMEs se preocupam com a possibilidade de calote ou com perdas decorrentes do câmbio de moeda estrangeira. Algumas se preocupam com os custos de exportação. Entretanto, todas essas inquietações têm um ponto em comum – na maioria dos casos, elas podem ser sanadas com a orientação e o apoio corretos.

Programas de apoio para isso existem, claro, e costumam ser administrados pelos governos federais. No Brasil, por exemplo, a APEX-Brasil disponibiliza análise de mercado e consultoria em exportação a PMEs. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) auxilia empresas na construção de capacidades de exportação e facilitam a participação delas em encontros internacionais de negócios[3].

Seja de fontes nacionais ou internacionais, a maioria das pequenas e médias exportadoras percebe que existem informações disponíveis para ajudá-las, mas a maior parte delas gostaria de ter mais apoio. Já no caso das que não exportam, mais de três quintos das participantes da pesquisa afirmaram nunca ter recebido qualquer tipo de orientação. Esse é o grupo que mais precisa de ajuda e, na ausência de programas de apoio, buscam expertise em exportação na Internet, na mídia e junto a fornecedores de serviços de logística.

Um imperativo compartilhado

Para a FedEx, é uma satisfação saber que as PMEs veem os fornecedores de serviços de logística como um recurso valioso quando a questão é exportar. Entretanto, consideramos este apoio um imperativo compartilhado. Apenas 10% dessas empresas acreditam ter o incentivo necessário para exportar com sucesso, e isso deve servir de alerta aos outros stakeholders envolvidos, como bancos e governos nacionais. Mas tendo ou não a ajuda necessária, muitas PMEs pretendem começar a exportar nos próximos anos. Fazer mais para ajudá-las a ter sucesso beneficiará as comunidades, criando empregos, riqueza e um pipeline mais eficiente para produtos e crescimento econômico no mundo todo. 

# # #

1 “Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe”, Centro de Desenvolvimento da OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
2 “Global Opportunities: Examining Import and Export Trends Among Small Businesses” (Oportunidades Globais: Examinando as Tendências de Importação e Importação entre as Pequenas Empresas, em tradução livre), estudo de pesquisa realizado pela Harris Interactive em nome da FedEx, setembro de 2015, Brasil, China, Colômbia, França, Alemanha, Hong Kong, Índia, Itália, Japão, Singapore, Coreia do Sul, Espanha e Taiwan.
3 OECD (2009), “Top Barriers and Drivers to SME Internationalisation”, Relatório do Grupo de Trabalho da OECD sobre PMEs e Empreendedorismo, OECD.

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